A IMPORTÂNCIA DA TEOLOGIA ESPIRITUAL NA VIDA DA IGREJA
É visível o confronto entre o que entendemos por Espiritualidade com o
que entendemos como Teologia, como se uma excluísse a outra e não se pudesse se
desenvolver uma Teologia Espiritual. Neste diapasão, necessário se faz que
demonstremos a importância da Teologia Espiritual na vida da Igreja e da
inexistência de um confronto entre esses dois conceitos que, antes, são, para
nós, complementares, como demonstraremos.
Entendemos Teologia como um discurso sobre Deus, entre tantos possíveis,
enquanto entendemos como Espiritualidade a vivência íntima com Deus por meio de
Nosso Senhor Jesus Cristo e inspirados pela ação do Espírito Santo em nós, logo
é-nos possível, sim, termos um “discurso sobre Deus” (teologia) perpassado por
uma “vivência de intimidade orante com Deus” (Espiritualidade), ou seja,
verbalizaríamos Teologia Espiritual como “um discurso sobre Deus vivenciado na
intimidade orante com Deus, por intermédio de Jesus Cristo e inspirados pela
ação do Espírito Santo de Deus”.
Evidentemente que, se compararmos o conceito de Teologia Espiritual que
construímos com os conceitos de De Guibert, Ruiz Salvador e Bernard, citados
por Balsan (2019; 24), veremos que o nosso conceito se ver pauperizado pela
ausência da citação à Revelação, pois que “o ponto de referência de toda a
reflexão, portanto, é a revelação, e a tarefa do teólogo é entendê-la e
aplica-la à realidade concreta das pessoas para que possam, a partir disso,
viver sua vida de fé” (BALSAN 2019; 24).
Mas evidentemente nossa preocupação epistemológica difere das dos
supramencionados autores, pois o que buscamos aqui demonstrar é a pacífica
convivência entre dois conceitos (Teologia e Espiritualidade) e sua
imprescindibilidade para a vida da Igreja.
Percebemos em nossas paróquias que muitas pessoas acreditam de forma
sincera que não é necessário estudar teologia, aprofundar-se na palavra de
Deus, conhecer a Doutrina Católica. Basta orar e aguardar a ação do Espírito
Santo.
Essa é uma visão eminentemente equivocada e marcada por uma fé ingênua e
que olvida o convite da Primeira Epístola de São Pedro, em seu capítulo 3,
versículo 15, para darmos “razão à nossa fé”.
Investigando a vida dos Santos e Santas de Deus percebemos que a posição
orante (espiritualidade) é antecedida pela leitura das Sagradas Escrituras, ou
seja, por uma leitura que reivindica a construção de uma discurso sobre o
“Mistério a quem chamamos Deus”, na feliz expressão de Karl Rahner.
Também em nossas paróquias se faz imprescindível que nossa vida
espiritual seja perpassada pelo conhecimento e reflexão acerca das verdades da
fé, cujo núcleo duro do anúncio do Reino (Kerigma) é a certeza de que “nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter
enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele. Nisto consiste o
amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ele nos ter amado primeiro, e
enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados” (1Jo 4, 9-10).
Ou seja, o Kerigma – o anúncio primeiro e que só podemos
conhecer mediante uma elaboração sistemática de um discurso sobre Deus
(Teologia) é que Deus enviou seu filho único – Jesus Cristo, ao mundo, para
nossa redenção e salvação e que isso se dá não por nossos méritos, mas fruto do
amor gratuito de Deus no Espírito Santo. Só após da consciência desta verdade
de fé poderemos falar de uma verdadeira espiritualidade enquanto vivência do
amor a Cristo Senhor e aos irmãos.
Ainda, ouvindo São João Evangelista, podemos perceber que a
Espiritualidade se esvazia sem o conhecimento da Palavra, pois "Vede que manifestação de amor nos deu o Pai:
sermos chamados filhos de Deus. E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é
porque não o conheceu. Amados, desde já somos filhos de Deus, mas o que seremos
ainda não se manifestou. Sabemos que por ocasião desta manifestação, seremos
semelhantes a Ele, porque o veremos tal como Ele é" (1Jo 3, 1-2).
Logo, uma Teologia Espiritual é necessária para que vivamos
de forma madura, longeva e verdadeira a nossa fé.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
BALSAN, Luiz. Teologia Espiritual.
Curitiba: Intersaberes, 2019. (Série Princípios da Teologia Católica).
BÍBLIA. Bíblia de Jerusalém. São Paulo:
Paulus, 2002.
OESI, Felipe Maia. Espiritualidade e Teologia. Disponível em:
https://vidacontemplativa.wordpress.com/2012/03/29/espiritualidad e-e-teologia/.
Acessado em: 03.maio. 2019.
SALVADOR, Federico Ruiz. Compêndio de Teologia Espiritual – (Teologia Espiritual p. 33-41).
Disponível em:
https://books.google.com.br/books?hl=ptBR&lr=lang_pt&id=Fvin0uZK9GIC&oi=fnd&pg=PA9&dq=teologia+
espiritual&ots=tXYnT55i8&sig=NpBxfHJpxxt4AZxz_dlwAXetAbo#v=onepage&q=teolo
gia%20espiritual&f=false . Acessado em: 03.maio. 2019.
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